Eu sempre disse que era melhor confiar no pajé...
22 de julho de 2013.
Uma pegada ecológica
previsível ou quase imóvel
no porvir do relógio biológico
erupciona, mas não alucinógeno.
Desdenhoso encontro
com cheiro de coito
aquele velho, e velho, encosto
persiste em rasgar meu rosto.
Déspota da desilusão
tinhoso gosto do colchão
esclarecido por entre tapas
foi por ti que perdi meu pulmão.
Hora de trancar os olhos
d'esquecer os galhos
comprometido com a prontidão
escravagismo voluntário.
Quem sabe?
23 horas e 9 minutos de 2 de abril de 2013.
Perna cabeluda
mal gosto nos calçados
cabelos mal pintados
e rosto de cansaço...
Mas se entregasse em meus braços
te faria rainha do meu falo
dona dos meus afagos
minha saliva em tua genitália
carinho conspícuo e diário.
21 horas e 57 minutos de 1º de abril de 2013.
Schumpeter não compete
confete não confere ao bofete
boate não abre a louça
e lesma de chão não abre a boca
cansado deste assado engasgômetro
não mete em mim o que não mete na nonna
cala a bolsa do arcabouço
equilibra a tigela na banguela
desce a serra na pinguela
abre as pernas
e não deixa os filhos verem novela.
Desliga o termômetro
que o degelo congela a barriga
manda pra dentro carne fria
deixa tocar o celular
até acabar os ouvidos
esquenta logo os miúdos
mastiga o feijão graúdo
e deixa de conversadeira.
19 horas e 32 minutos de 10 de fevereiro de 2013.
Como se fosse fácil assim... os mesmos lugares, as mesmas telhas e os mesmos pés molhados. Neblina matinal que respirei era poeira doce; o tabaco mastigado. Agora o governador não me deixa nem tragar uma fumacinha limpa naquele velho canto pombalino... não me deixa esfumaçar minhas tristezas. E eu já cansado desta ininterruptamente vida... até os passarinhos se esconderam, parece... Nem mesmo as belas crianças pedindo misérias no farol me alegram.
Deixa escurecer os olhos; deixa fechar a veia. Quando acordar meus braços já estarão acoplados ao maquinário, trabalhando, trabalhando, trabalhando... Que pena! O corpo estava lá, mas a alma já se foi há muito...
Meio-dia e 12 minutos de 17 de julho de 2012.
O trouxa é aquele que corre atrás da mesmice
caga em cima dos pés
e enche seu dia de cretinice
esquece de sair da redoma
deságua um cano de esgoto
na própria boca.
Iludido por qualquer conversar
acredita na mentira sincera
sabendo que atrás do pano da Pérsia
se escondem agulhas de feras
mesmo assim limpa o chão e diz sorrindo: “bom dia”.
Mas de algo vale a sua existência
decerto que não está por certo
mas pregou com martelo o dedo
numa estaca dura de rachar
agora dá murro nas portas
pra ver se alguém desencosta
numa carta de magia certeira
deita na esteira da dor
escolhe o impossível
mas não expurga do peito o amor.
Buscou um caminho difícil
sai dessa em que entrou
chora sangue, se dopa
faz de conta que voltou
ou vai logo se mexendo
ou de trouxa vão sair dizendo.
Alguma hora aí, de algum dia aí, do ano de 2012.
Ainda estou estarrecido
por aquela cintura!
Por aqueles seios
esculpidos dum pingo d'água
'quela figura infantil
e eu na minha pedofilia desvairada.
Por um instante te fixei
na minha mente e coração
menos tempo que'um trago
daqueles.
Seguirei aquela cintura
em minha ingênua e pura
emoção.
Perseguirei teus passos
pelas terras d'Amazônia
ou do Acre, de São Paulo
ou do Brasil
no covil virtual te encontrarei
e em realidade farei
meu desejo de imaginação
desejoso de tua cintura e teus seios
neles encontrarei meu perdão.
21 horas e 53 minutos de 1º de abril de 2013.
Xilambuca daqui, xilambuca de lá
mas lá dentro da jaula interna
dentro da velha janela externa
o olhar repreendido pela júbila cisterna
se escondendo em verdadeira trincheira de guerra
cortados os eruditos tocos de perna
pela nostálgica motosserra
após muitos fogos-de-artifício coagulantes
comidas e bebidas delirantes
exposto o pescoço pelo teto solar extravagante
(e não pelo teto torto)
a mil por hora escafedeu-se
para bem longe daquilo que é morto
rodopiando sobre nuvens embriagantes
entre taças de champanhe e alucinógenos variantes
subiu aos céus o bom Jesus
dono do seu próprio nariz
do peito, das pernas e do seu próprio cu!
18 horas e 44 minutos de 3 de janeiro de 2013.
Um dia olhei pela janela
e vi que fizeram um bruta predião
bem no meio da minha rua
ofuscando os olhos dela
e Eleonora era tão bela
violentada e seminua
agora não vale um tostão
apesar dos dólares do patrão.
No meio-fio vejo roedores
asfalto amarelo sangue
ondas radiofônicas abaixo do chão
motos nas antenas
mil enxames de abelhas
em direção da cabeça do sacristão.
Aquela porta de alumínio que brilha
já não mora ninguém, a senhora morreu
no jardim de trás conversas
só até a meia-noite
o casal que briga com gosto
e os imigrantes trabalhando sem nojo.
Nada fiz, nada pude
para rever a situação
as paredes do meu quarto bem pintadas
e a sombra do colosso engasgada
não é meu o que nunca foi meu
põe as costas a repousar
clamarei eternamente o teu perdão.
19 horas e 26 minutos de 21 de maio de 2013.